"Uma história de amor é como uma obra de arte: totalmente desnecessária, inventada e bela. Desnecessária, pois poderíamos não ter enviado aquele email e continuado com nossa vida tranqüila. Inventada, pois nossa declaração de amor nunca deixa de ser forçada, nunca esconde por completo a fantasia que a sustenta. Bela, porque… bela. Por mais fechados que possamos estar, basta uma música como “C’etait ici”, de Yann Tiersen (que fez a trilha do excelente O fabuloso destino de Amélie Poulain), para nos mostrar que amor e beleza são uma e mesma coisa."
Ao ler tal comentário resolvi escrever sobre uma coisa que adoro escutar: histórias de como os casais se conheceram. Todo casal sempre tem a sua história, umas mais emocionantes outras um pouco menos interessantes. Sempre que tenho oportunidade, sento e escuto com a maior atenção, pergunto detalhes e fico imaginando qual filme daria, que livro ou música seria?Outro dia num meio de uma pizza um cliente começou a contar sua história, de como conheceu a sua noiva. Não deu outra, quando percebi a abertura comecei a perguntar e busquei todos os detalhes e ele entrou na conversa, contou desde o primeiro encontro até os dia em que realmente se deram conta de que estavam apaixonados.
De todas as histórias que escutei até hoje ainda não teve uma para ser mais bonita, engraçada e emocionante do que a de um grande amigo meu. Com um casamento sólido de mais de 10 anos, enfrentando vários percalços familiares, financeiros e de temperamento, o resultado hoje é uma família com três filhos maravilhosos e uma vida estruturada. Embora ele ainda tenha desafios pela frente, esse cara sabe o que quer e como alcançar seus objetivos da melhor maneira possível, tudo para manter a família estável e feliz.
Caindo um pouco para o lado da música, pego duas canções do Los Hermanos: "Último romance" e "Conversa de botas batidas". A primeira gira em torno de um romance na terceira idade. Rodrigo Amarante escreveu a letra do reencontro de dois velhinhos após anos distantes. Nela ele fala de amor sem ser repetitivo, como ele mesmo disse ao ser perguntado sobre, é uma forma de amor verdadeiro, simples e bonito. Está registrado no making of do DVD "Ao Vivo no Cine Íris".A segunda foi composta por Marcelo Camelo, assim que leu uma matéria de jornal onde falava da morte de dois velhinhos. Ambos foram soterrados no desabamento de um prédio. Camelo fantasiou, imaginou a cena e, segundo ele, os dois eram amantes e não queriam ser descobertos. Basta ouvir a música e sacar toda a genialidade do compositor, que já foi comparado ao mestre Chico Buarque.
Quanto a mim, posso dizer que tive poucas histórias de amor não muito relevantes, apenas uma foi marcante, mas ficou assim pelo avesso sem final feliz. Desistir? Não! Seguir em frente e me preparar para viver uma verdadeira história. Mas não fantasio isso nem de longe. Meu mundo não é azul e prefiro ver as cores na sua mais real cromia.
Quando tiver a oportunidade de viver uma história de amor desnecessária, inventada e bela não deixe passar, viva intensamente! É melhor ser ator do que espectador, ser pássaro do que paisagem.

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