quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Se eu fosse um disco seria...

Dando a sequência que começou no post sobre "se eu fosse um livro seria... Cem Anos de Solidão, Gabriel García Marquez". Chegou a vez do disco. Não resta dúvida, não teria outro disco para traduzir toda minha vida além de "Ventura", dos Los Hermanos.

Ventura é sorte para quem quer ver, é fortuna para quem a espera. As músicas seguem apenas o norte que aponta o coração. Enquanto se ouve o disco dá vontade de içar uma vela a espera de um vento favorável, um vento bom que leve adiante...

De acordo com os próprios integrantes da banda: “Ventura” é um disco para se ouvir de janela aberta, deixando o som vazar pra rua e o sol entrar. É para pensar no tempo que irremediavelmente passa e no que ainda está por vir. Não cabe dizer do que se trata cada música, qual é a história por detrás. Não existe legenda ou certo e errado, as certezas, na verdade, são bem poucas. Tudo é apenas uma sugestão, como na capa.

Lançado em 2003, antes chamado de "Bonança", o disco teve uma curiosidade em seu preparo: o primeiro disco nacional a "vazar" em sua fase de pré-produção. O terceiro álbum apresentava um Los Hermanos multifacetado. De "Samba a Dois" ao pop rock de "O Vencedor" ou dos diálogos de "Conversa de Botas Batidas" e "Do Lado de Dentro". "Ventura" vinha com status do álbum que consolidaria a banda no cenário nacional. O primeiro single, "Cara Estranho", marcou boa presença nas rádios e em premiações de videoclipes. Vieram depois "O Vencedor" e "Último Romance".

O disco fala de relacionamentos mal sucedidos, de encontros e desencontros, de reencontro, de traição, de solidão ,relação entre pai e filho, de amor verdadeiro, de família e da luta para seguir em frente a cada dia.

"De Onde Vem A Calma", é a grande obra-prima do disco, a música que realmente diz muito sobre mim. Uma balada delicada, contando a história de alguém inseguro, que não conseguia se impor. Logo em seguida, vem a volta por cima: "Eu não vou mudar não/eu vou ficar são/mesmo se for só/não vou ceder". O último minuto é emocionante, com Marcelo Camelo cantando em falsete e um belo solo finalizando um grande trabalho.

Ventura é um convite, uma página em branco, uma interrogação. Significa risco e aí reside o convite: você acha o risco bom ou ruim? Não responda agora, ouça o disco primeiro e depois obtenha a sua própria resposta.

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